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domingo, 1 de fevereiro de 2026

LIVRO 'OS DEMÔNIOS DESCEM DO NORTE' - PEQUENA ANÁLISE

 

 

 Delcio Monteiro de Lima OS DEMÔNIOS DESCEM DO NORTE 1987 Francisco Alves 1

Para José Fermin Suarez Fernandez, um amigo. SUMÁRIO I - UMA DISPUTA DE ESPAÇO A ingerência dos Estados Unidos na promoção de seitas na América Latina - Uma barreira para conter o comunismo - As suspeitas do Departamento de Estado americano em relação à Igreja Católica - Queixas das multinacionais contra os protestantes históricos Desdobramentos da ruptura da Igreja com o poder - Apoio do Papa aos Bispos brasileiros O comunismo e a direita contra as comunidades eclesiais de base - Inventariando a conjugação de forças religiosas no Brasil II - A IDEOLOGIA DOS DEUSES O cristianismo salvador na escalada fundamentalista nos manobra para evitar a aproximação protestantes-católicos Santa Fé: Igreja não é de confiança - Levantamento do financiamentos - A posição incômoda da "Opus Dei" no preocupação não só dos católicos - Particularidades do autônomos na América Latina

Estados Unidos - Washington - Os relatórios Rockefeller e a CELAM mostra a origem dos caso do Chile - Seitas: uma avanço dos grupos religiosos

III - EXORCIZANDO FANTASMAS O pentecostalismo importado dos Estados Unidos – Raízes americanas da Assembléia de Deus, Congregação Cristã e Igreja do Evangelho Quadrangular -14 milhões de crentes no Brasil - Revelando um império econômico a serviço da expansão religiosa - A sedução da política - Os pastores eletrônicos lá e aqui - Renovação carismática: os pentecostais católicos - A síndrome da Teologia da Libertação IV - O ORIGINAL E O BIZARRO Os mórmons, tão ricos quanto misteriosos - O problema racial na Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias - Reviravolta americana no caso das testemunhas de Jeová - Seita Moon: uma religião coreana que mudou para os Estados Unidos - Negócios fabulosos sustentam o anticomunismo no mundo - No Brasil, aliciando jovens e atraindo militares - A articulação política das seitas V - GEOPOLÍTICA DA FÉ Proselitismo das transconfessionais dos Estados Unidos nas classes de baixa renda - A estratégia do “Missionary Information Bureau" - Uma Bíblia adulterada para os indígenas Omissão do governo brasileiro - Interesses econômicos, aculturação e manipulação política das seitas - Uma advertência I UMA DISPUTA DE ESPAÇO "Acho difícil conceber uma estrutura organizacional melhor que a nossa. Noto que muitas pessoas a quem visito - altos executivos, homens de negócios e industriais, mesmo chefes

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de Estado - ficam maravilhados pela eficiência da estrutura de nossa Igreja." A revelação é do pastor Neal C. Wilson, presidente, desde 1978, da Associação Geral da Igreja Adventista do Sétimo Dia, sediada em Washington, em recente avaliação das atividades de quase 6 milhões de adventistas existentes em 190 países, que ajunta ao seu entusiasmo: "Também fico impressionado com o número de adventistas que ocupam lugares de influência nacional e internacional ao redor do mundo. Quando eu era jovem, a Igreja não possuía muitos amigos nos altos postos e os adventistas eram quase desconhecidos no mundo dos negócios, das profissões e da política. Hoje, tudo mudou. Deus tem feito prosperar muitos dos nossos irmãos, dando-Ihes habilidade de liderança, força espiritual, uma variedade de talentos e êxito financeiro. Por isso, eles têm contribuído generosamente em todas essas áreas, permitindo que nossa Igreja seja vista sob nova luz." A Igreja Adventista do Sétimo Dia é, na verdade, uma empresa religiosa moderna e extremamente eficiente, onde quer que tenha presença. Certamente a mais dinâmica de todas. No Brasil, aproximadamente 600 mil crentes, apoiados por uma vanguarda que compreende cerca de 7 mil pessoas, entre pastores, missionários e obreiros, desenvolvem um trabalho, notadamente no campo social, que está longe de ser seguido ou imitado por qualquer outra religião. É uma gama de atividades desproporcional, inclusive, ao número de fiéis ou tamanho daquela Igreja entre nós, envolvendo um elenco de ações só passíveis de controle mesmo por mecanismos de uma organização de feições multinacionais, tal o seu porte. A desenvoltura que caracteriza a participação da Igreja Adventista do Sétimo Dia na solução dos problemas da Educação e da Saúde enfrentados pelos diversos países é realmente impressionante. Parece que os números esclarecem com suficiente clareza essa contribuição: 5.500 unidades educacionais primárias, secundárias e superiores, com mais de 30 mil professores ministrando ensinamentos a cerca de 1 milhão de estudantes. Opera, por outro lado, um complexo internacional integrado por 166 hospitais, 234 clínicas e dispensários e 54 lanchas e aviões, a serviço do que chama evangelho da Saúde. Um verdadeiro exército - 47 mil pessoas - se ocupa dessa imensa rede beneficente nos variados quadrantes do mundo. Mantém, ainda, 51 casas-editoras espalhadas em diversos países, incumbidas de publicações em 175 idiomas, onde se incluem jornais, revistas e livros, com enormes tiragens, sobre fumo, álcool, droga, alimentação e hábitos de vida. A obstinação dos adventistas em promover a Educação e cuidar da Saúde mereceu, a propósito, curiosa observação da revista "US Catholic", em artigo escrito por William J. Whiler, respeitado catedrático de História da Universidade Católica de Purdue, que diz que podemos esperar que uma Igreja que aguarda o fim do mundo a qualquer momento concentre sua atuação exclusivamente em assuntos religiosos. Mas que não são assim os adventistas. Sua crença na Segunda Vinda não arrefeceu seu empenho em favor da Educação, do cuidado médico ou do serviço em prol dos outros e que nenhuma Igreja pode apresentar mais impressionante relatório de serviço médico do que a Adventista do Sétimo Dia, levando-se em conta o número total de seus adeptos. A preocupação dos adventistas com a Saúde, com efeito, manifestou-se quando da institucionalização da sua Igreja, ocorrida em 1860. Num período de grande turbulência da vida americana, como a que sucedeu à Guerra Civil, já punham em funcionamento, em 1866, sua primeira instituição médica, o "Western Health Reform Institute", em Battle Creek. Construíram um hospital bastante avançado para uma época em que as péssimas condições sanitárias existentes, sustentadas por práticas médicas empíricas, eram responsáveis, por exemplo, por uma mortalidade infantil de 1 criança em cada grupo de 6 no primeiro ano de nascimento e a expectativa de vida dos americanos estava limitada a, apenas, 39,4 anos. Naquele tempo, a Associação Médica Americana, criada em 1847, não dispunha de instrumentos eficazes para proibir o exercício da Medicina por pessoas que soubessem os rudimentos da anatomia humana, possuíssem razoável estoque de drogas ou tivessem habilidade para fazer uma sangria. Os

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adventistas tiveram a ousadia de mudar tudo isso, de inovar, e preconizaram, antes de mais nada, uma estratégia de Saúde que respeitasse a força dos valores da natureza. O entendimento de que o corpo humano é o templo de Deus e deve ser preservado nas melhores condições possíveis é um princípio evangélico seguido à risca pelos adventistas. Seus pregadores sempre tiveram a percepção da existência da íntima relação entre a Saúde física e a Saúde espiritual e enfatizaram a necessidade de manutenção desse equilíbrio para uma vida longa a serviço de Deus. Comprometer esse equilíbrio seria, pois, faltar ao Senhor, desertar à Sua causa. Por isso, atribuem excepcional importância à vida marcada pela ausência de excessos. Glorificam a temperança. São tradicionais suas campanhas contra o fumo, o álcool e o tóxico, sempre orquestradas com farta publicação de revistas e livros de doutrinação contra esses vícios. A apologia da Saúde incorporada ao proselitismo religioso contou sempre com o reforço dos ensinamentos dos mais lúcidos ideólogos do adventismo. Exemplo é a sra. Ellen G. White (1827-1915), autora de vários livros, cujas visões são consideradas roteiro de fé para todos os crentes, que valorizou aquela relação em diversos trabalhos sobre emprego terapêutico dos agentes naturais, importância da alimentação, Medicina preventiva, Saúde mental e Saúde espiritual, até hoje fundamentos da ação adventista nesse campo. E de sua autoria a advertência segundo a qual “não é seguro e tampouco agradável a Deus que, após violar as leis da natureza, busquemos ao Senhor, pedindo que vele sobre a nossa Saúde e nos guarde de enfermidades, quando os nossos hábitos contradizem as nossas orações". Recentemente, pesquisas feitas no Estado da Califórnia (Estados Unidos) e na Noruega, entre a população adulta, cobrindo um espaço de 5 anos, mostraram que os adventistas geralmente vivem em média mais 7 anos do que os outros cidadãos. O câncer e as doenças do aparelho respiratório, principalmente, incidem menos naquele grupo religioso, o que é explicado pelo estilo de vida ascético adotado pelo mesmo. A constatação tem incentivado então os adventistas a intensificar em todo o mundo a luta contra as formas de vida desregradas, desencadeando regularmente vigorosas campanhas contra o fumo, a disseminação dos tóxicos e do álcool e abrindo novos centros de tratamento e recuperação dos viciados. UMA EFICIÊNCIA COMPROVADA O adventismo é uma religião forjada e retocada ao modelo de vida da classe média americana, tipicamente conservadora e puritana. Nascido nos Estados Unidos no começo do século passado, é um movimento de dissidentes da Igreja Batista, então insatisfeitos com alguns dogmas de fé do protestantismo histórico. Prega obstinadamente a Segunda Vinda do Salvador, quando os justos falecidos ressuscitarão e, juntamente com os justos que estiverem vivos, serão glorificados e revestidos de imortalidade, enquanto os pecadores, os ímpios, só o farão mil anos mais tarde, para serem destruídos para sempre. É a teoria do milenarismo. O adventista é proibido de usar estimulantes, como álcool, fumo e café, devendo trajar-se sobriamente e abster-se de passatempos mundanos, tais como cinema, baile e jogos. William Miller (1782-1849), de Pittsfield, Massachusetts, agricultor de origem humilde, depois militar, interpretando as Escrituras e as visões de Daniel e Apocalipse, conseguiu, a partir de 1812, empolgar alguns setores da comunidade batista para as suas conclusões em torno da Segunda Vinda. Nesses estudos, previa o evento para 1843. Corrigiu-as, depois, apontando o outono de 1844, mais exatamente o dia 22 de outubro, como a grande data. Mas nada de extraordinário aconteceu naquele dia, senão uma grande frustração dos crentes reunidos em orações em Battle Creek, Michigan. Em meio às súplicas, exaltação e choro, o dia clareou e a Segunda Vinda não se concretizou. A conseqüência foi um enorme racha no adventismo, com os fiéis, desapontados, voltando às igrejas de origem. Poucos

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líderes do movimento suportaram a execração pública, a gozação, e mantiveram-se leais à causa, tentando uma recomposição do que sobrou do adventismo após a debandada. Entre os reorganizadores e reestruturadores do desarticulado movimento está Ellen G. Harmon, depois Ellen G. White (18271915), de Portland, no Maine, uma ex-metodista que veio a desempenhar papel importante no adventismo durante 70 anos. Liderou várias iniciativas, sobressaindo-se como teórica e ideóloga das mais respeitadas até hoje, com 53 livros e 4.500 artigos publicados, abrangendo vários aspectos da fé adventista. Teve destacada atuação na grande arregimentação que culminou na estruturação definitiva da Igreja em 1860. As crises de menor ou maior proporção enfrentadas pela Igreja Adventista durante a sua existência, desde a grande confrontação de 1888, em Minneapolis, até o cisma irrompido em 1979 na Austrália, não impediram seu vertiginoso crescimento a nível mundial, expandindo-se rápida pelos Estados Unidos, Canadá, Europa, África, Ásia e América Latina. O fato de os adventistas serem sabatistas, isto é, guardarem o sétimo dia, o sábado, consagrado ao descanso, adoração e ministério, não os impediu de ganhar adeptos entre as categorias profissionais que geralmente têm problema por não trabalhar naquele dia da semana. Nem mesmo em regiões onde as atividades jamais são interrompidas no sábado ou que nunca adotaram a "semana inglesa", hábito relativamente novo em países latinos, seu avanço foi prejudicado. Entre nós, a primeira Igreja Adventista do Sétimo Dia foi organizada em março de 1898, em Gaspar Alto, Santa Catarina. Eram, naquela época, apenas 23 crentes que se reuniam em torno da família Belz. Três anos antes, porém, em 1895, a família Riffel já havia estabelecido em Entre Rios, Argentina, a primeira Igreja da denominação na América do Sul. Hoje, após décadas de trabalho pertinaz, a ação adventista é observada praticamente em todos os Estados brasileiros, com maior vigor, entretanto, no sul do País. São 931 templos, desenvolvendo eficiente atividade pastoral, simultânea a uma movimentação nos campos assistencial e educacional verdadeiramente expressivo em termos de grandeza e abrangência. Os adventistas mantêm em funcionamento permanente, no Brasil, 11 hospitais, sendo 2 em São Paulo, 2 no Rio de Janeiro, 1 em Belo Horizonte, Campo Grande, Manaus, Belém, Vitória, Londrina e Salvador; 1.300 centros de Assistência Social, incumbidos do preparo e distribuição de alimentos e roupas às famílias carentes e de ministrar cursos de culinária, corte e costura, e princípios de enfermagem; 8 grandes clínicas múltiplas; 18 lanchasambulatório equipadas com todos os recursos médicos e odontológicos, percorrendo os grandes rios da Amazônia, Mato Grosso e Pará; 1 avião médico-missionário; várias creches, patronatos, orfanatos, asilos de velhos e clínicas médicas-móveis. Também na área de Saúde, opera várias lojas de produtos naturais, restaurantes vegetarianos e centros de tratamento de alcoolismo. É conveniente esclarecer, a propósito, que a Igreja Adventista não é dona ou sócia da “Golden Cross", poderosa multinacional que explora o ramo da Saúde. Apenas administra alguns hospitais da empresa, porque seu dirigente no Brasil, o advogado Milton Soldani Afonso, é crente e conhece a experiência que a sua Igreja tem no setor. Dessa forma, os únicos empreendimentos de finalidades mercantis dos adventistas brasileiros, cujos lucros, entretanto, são aplicados em obras de benemerência, são a "Fábrica de Produtos Alimentícios Superbom" e a "Unibrás Corretora de Seguros Ltda.", ambas sediadas em São Paulo. A contribuição adventista à Educação é, igualmente, significativa. Entram com quase 500 escolas fundamentais em diversas regiões do nosso território e 14 colégios secundários localizados em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Pará e Goiás. Além desses, criaram e mantêm institutos agro-industriais no Amazonas, Pará e Rondônia. Duas faculdades de Teologia, uma em Itapecerica da Serra (São Paulo) e outra em Belém de Maria (Pernambuco), cuidam da formação religiosa em nível superior dos adventistas no País. Registro especial merece o

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Projeto de Integração e Serviço da Mocidade Adventista (PRISMA), uma espécie de Projeto Rondon do Ministério da Educação, só que com mais recursos, organizado com jovens universitários de Medicina, Enfermagem, Odontologia, Agronomia, Nutrição e Educação, destinado a legar assistência às populações distantes. Tais grupos percorrem de lancha os grandes rios da região amazônica, chegando também a Mato Grosso, Goiás, Pará e Maranhão. Já trabalham há mais de 50 anos na Amazônia. A divulgação adventista é centralizada na “Casa Publicadora Brasileira" de Tatuí, São Paulo, responsável pela tiragem das revistas "Vida e Saúde", “Mocidade", “Decisão", “Revista Adventista" e "Nosso Amiguinho", que atingem, somadas, cerca de 400 mil exemplares. Edita, também, livros e farto material gráfico de apoio às campanhas contra o álcool, o fumo e as drogas. Na área de rádio, o programa "A Voz da Profecia" é veiculado em aproximadamente 300 emissoras. Por outro lado, várias estações de televisão transmitem "Encontro com a Vida" e o serviço de aconselhamento telefônico - o Telepaz - é mantido regularmente em diversas capitais. O cérebro de toda essa gigantesca estrutura religiosa que cobre o Brasil e tem jurisdição também sobre as atividades desenvolvidas em outros países da América do Sul é a Divisão Sul-Americana da Igreja Adventista do Sétimo Dia, organizada em 1916 e instalada em um amplo edifício de dois pavimentos na discreta avenida L-3 Sul em Brasília. Lá, numa tarde calorenta de março, um acolhedor chileno de origem alemã, o pastor Werner Mayr, 49 anos, casado, três filhos, diretor da Agência de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA), enquanto coordenava providências de auxílio às vítimas das enchentes que assolavam as populações que vivem às margens do Lago Titicaca, justificou para o repórter: - O dízimo arrecadado (dez por cento da renda do crente) não é suficiente para pôr em funcionamento toda essa engrenagem. Cada vez estamos mais comprometidos em obras e campanhas de promoção humana. É evidente, pois, que temos que contar com ajuda externa. INGERÊNCIA DE FORA A ajuda externa, justamente, representa um dos pontos delicados de qualquer estudo com o propósito de redesenhar o panorama religioso brasileiro nos últimos decênios. Com efeito, não tem escapado ao observador mais avisado evidências seguras da interferência de estranhos mecanismos na sustentação do novo quadro que vai se delineando a partir do extraordinário impulso que ganharam os movimentos ou seitas modernas surgidas no País. Esse crescimento repentino não pode ser explicado somente pelo resultado da força de doutrinação proselitista dos novos pregadores ou pelo preenchimento dos anseios dos desiludidos com suas crenças originais. Razões puramente subjetivas podem até justificar grande parte das conversões ou substituições de valores espirituais. Mas não podem, evidentemente, ser subestimadas a velocidade e as características peculiares com que se operam as súbitas transformações em causa. Não há dúvida quanto à ingerência de um fator acelerador em todo o processo. Pelo menos, a se dar crédito aos números de adesões àquelas religiões anunciadas pelos porta-vozes dos interessados. Vista a questão dessa perspectiva de suspeita, é natural, então, que se ponham as indagações cabíveis no caso, ou seja, qual a procedência dessa ajuda e quem são os beneficiários da mesma? qual o seu montante e como se processa? quais os objetivos de quem a promove? Seria ingênuo, para não dizer absurdo, raciocinar com a hipótese da existência de um plano ordenado com objetivos políticos para conseguir uma modificação imediata no quadro religioso brasileiro. Uma trama desse tipo não se enquadraria na temporalidade das coisas. As ideologias não parecem interessadas em coordenadas de sedimentação tão futura que requeira séculos para apresentar resultados práticos. Mas não desprezam as oportunidades

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oferecidas pelos rumos naturais que assumem os movimentos sociais ou religiosos, nem deixam de aproveitar as brechas ocasionais que se abrem nas estruturas para infiltrar as mesmas ideologias. É cômodo e fácil. O comprometimento é mínimo. Os investimentos são relativamente baixos nesses casos e os frutos compensadores à curto prazo. Uma visão com esse enfoque da paisagem religiosa da América Latina, particularmente do Brasil, mostra exatamente a ocorrência do fenômeno favorecendo a capitalização de dividendos políticos para aquela ação oportunista. A proliferação de seitas novas, aliciando crentes com relativa facilidade, sobretudo nas camadas mais pobres das populações urbana e rural, vai alargando os flancos à consolidação de idéias defendidas pela situação dominante. Manter é menos complicado do que mudar. E os movimentos religiosos de grande apelo popular ajustam-se sob medida a essa estratégia, porque, na sofreguidão de engrossar as suas fileiras de adeptos, preocupam-se exclusivamente com o transcendental, deixando o temporal como sempre esteve. Conquanto a fé ostente uma pujança expressiva, competitiva mesmo, dados os termos em que foi colocada a disputa de crentes, o que conta nessa corrida é, pois, o número de ovelhas conquistadas. A partir dos anos 60, a maioria dos estudos de avaliação do potencial das ideologias consideradas de esquerda na América Latina, promovidos pelo Departamento de Estado americano, tem nucleamento nas aberturas propiciadas pela miséria social e sua abordagem a nível religioso. Lentamente, os especialistas do órgão incumbido de gerir a política externa dos Estados Unidos foram se convencendo de que o cristianismo dos latinoamericanos não constituía barreira suficientemente inibidora à penetração, se não do comunismo internacional, pelo menos de formas avançadas do socialismo moderno. Cuba representou um exemplo dos mais eloqüentes para a tese que advoga maior cuidado no encarar o papel das religiões nas transformações sociais desta parte do mundo. Era o primeiro alerta. Depois, o caso da Nicarágua vinha a confirmar o acerto do entendimento. Como conseqüência, todos aqueles estudos passaram a sugerir, então, a necessidade de adoção de uma linha de comportamento político que, no mínimo, significasse uma tentativa de arrefecer ou retardar a atuação daquela poderosa força auxiliar do esquema de ameaça ao que se convencionou chamar democracia ocidental. A preferência dos especialistas do Departamento de Estado americano nessa atmosfera de desconfiança é pela Igreja Católica, hoje, na América Latina, com irreversível compromisso com a causa dos pobres na busca de uma identificação mais íntima com os princípios sociais da sua fé. Nem cogitam das seitas novas, os movimentos religiosos mais contemporâneos, cuja ânsia de afirmação, como foi dito, afasta completamente qualquer ação pastoral estranha à sua preocupação exclusiva com o transcendental. Mas não estão absolutamente tranqüilos, todavia, quanto ao protestantismo histórico ou tradicional, notadamente no Brasil, onde alguns segmentos do cristianismo têm assumido posições consideradas excessivamente progressistas. É o caso da Igreja Evangélica de Confissão Luterana, que mantém um serviço pastoral junto a índios e lavradores pobres, trabalho feito em comum com a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), órgãos da Igreja Católica. Mais recentemente, empresas multinacionais têm levado freqüentes queixas ao Departamento de Estado americano contra missões protestantes em atividade em regiões indígenas em cujo subsolo são exploradas enormes jazidas de minerais raros. Alegam aquelas corporações que tais missões, a pretexto de evangelizar, são peças fundamentais na engrenagem nacionalista de conscientização dos direitos dos índios sobre as terras. Veladamente insinuam, até, que as missões protestantes agem sob a inspiração de grupos extremistas interessados em prejudicar as atividades das mineradoras. Contudo, os órgãos de segurança brasileiros não detectaram ainda nenhuma articulação alegada nas denúncias, recebidas por via diplomática. ABANDONANDO A PASSIVIDADE

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Certamente habituado ao funcionamento pleno das instituições e não afeito às oscilações que caracterizam o exercício temporário da democracia na América Latina como simples liberalidade das forças armadas, o estrangeiro demonstra certa perplexidade ao constatar, entre nós, a atividade política deslocada da esfera própria das agremiações partidárias para gravitar em outros segmentos da sociedade. Os brasilianistas americanos do Norte, em particular, são incapazes de assimilar essa distorção, inadmissível aos seus padrões de cultura lapidados em exaustiva formação acadêmica. Ficam atônitos. E, mesmo sem capturar nossa realidade, produzem regularmente densos trabalhos de ciência política sobre o Brasil, pontificando teorias a respeito de uma conjuntura de complexa singularidade. O papel da Igreja Católica no contexto da vida nacional é uma dessas singularidades. Não se tem notícia, com efeito, desde que, no ano 380 da nossa era, o Cristianismo foi oficializado como a religião do Império Romano e que o imperador Constantino, antes, começava a institucionalizá-Io como parte integrante do Estado, de uma ruptura da Igreja Católica com os governantes tão incisiva quanto a que se verificou no Brasil a partir de 1964. Largamente majoritária e tranqüilamente consolidada no País, a Igreja Católica contrariou, inclusive, a evidência sociológica de permanecer alinhada ao sistema de poder devido àquela condição. Mas amargou, com isso, duros reveses. Padeceu as mais iníquas perseguições e, até hoje, sofre toda sorte de incompreensão por assumir pastoralmente a causa dos perseguidos, oprimidos e explorados, por fazer a leitura do Evangelho através de uma nova ótica transformadora. Abandonando uma postura de cômoda passividade e mesmo de vantajosa conivência com o arbítrio, optou pelo caminho áspero da luta pela justiça com Cristo. A Igreja nunca teve a pretensão de que seu discurso religioso alcançasse dimensão política. Nem buscou, tampouco, representar o papel de único canal de expressão nacional quando os outros foram emudecidos pela repressão. Também não tem culpa de que a sociedade, de modo geral, e os partidos políticos, de forma especial, não tenham sabido, agora, se estruturar e se organizar devidamente para ocupar seu espaço na reconstrução democrática do País. Muito menos, de que os militares não tenham voltado completamente aos quartéis, cedendo à sociedade civil não o poder mas, apenas, o governo. Os acontecimentos precipitaram-se à revelia da Igreja durante o prolongado desastre institucional brasileiro, representado pelos 20 anos de ditadura militar e o grande vazio que se seguiu. Rompida, como dissemos, com um passado de longa colaboração e estreita cumplicidade com a situação dominante, a Igreja viu consideravelmente aumentado o número de seus adversários depois da queda da ditadura. Os comunistas ressentiam-se da perda de espaço pela ação católica no meio operário, a burguesia rural temia que a força da Igreja no campo apressasse a reforma agrária. Entretanto, as alardeadas intenções de mudanças sociais eram mais peça de retórica do que aspiração sincera de muitos setores da vida brasileira. O equacionamento objetivo de alterações estruturais reclamadas pelo País esbarrou logo em interesses de grupos poderosos que se emaranhavam, por outro lado, no cipoal político que enleava as classes dirigentes. As profundas reformas exigidas pelas camadas mais sacrificadas da população de uma nação que ocupa, vergonhosamente, o antepenúltimo lugar no ranking mundial da má distribuição de renda teriam que esperar indefinidamente. Na verdade, não se pretendia modificar coisa alguma. Pior. Um furor de conservadorismo arcaico, cristalizado nas formas mais retrógradas do capitalismo perverso, parecia inspirar as transformações sofregamente esperadas pelo povo. A expectativa de muitos era de que a Igreja retomasse a antiga passividade com o sopro dos ventos da abertura política. Esperavam-na apenas celebrando Missa. Não faltaram até os mais nostálgicos que preferissem vê-Ia recuada ao tempo em que o velho cura da aldeia se assentava à mesa festiva do senhor da fazenda, enquanto capatazes truculentos açoitavam escravos no tronco ou os filhos garanhões sodomizavam as negras indefesas no fundo da senzala escura. Os comunistas, ainda ressaqueados da alegre temporada de confraternização entre os camaradas que foram corridos pelos esbirros e os que não

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puderam fugir, curtiam duro recalque. Refugiados, então, na grande imprensa, onde foram consentidos ou infiltrados pelos que procuravam manter privilégios, urdiam terríveis intrigas contra a Igreja, procurando agravar as incompatibilidades da Igreja com o governo no caso da reforma agrária. O espanto ante a atitude firme da Igreja na exigência de transformações sociais gerou, assim, uma situação inusitada na política brasileira. Era um elemento novo com o qual ninguém contava. É, quando nada, suprema burrice supor que a Igreja esteja a serviço de alguma facção ou partido político. Sua eqüidistância, se outras razões mais consistentes não tivesse, encontra explicação na própria fragilidade das agremiações que compõem a constelação partidária brasileira, até hoje uma colcha de retalhos, sem programa, sem ideologia, sem objetivos, sem coisa alguma que justifique a sua existência, sujeita, portanto, a constantes reformulações. Além disso, se pretendesse assumir feição partidária, bastaria orientar sua imensa estrutura para essa finalidade e seria, com absoluta tranqüilidade, a maior agremiação política conhecida, inquestionavelmente a mais sólida e poderosa. O cuidado da Igreja em imiscuir-se em assuntos políticos não significa, contudo; uma atitude de fraqueza diante das questões de grande perigo para a fé católica. Nesses casos, a Igreja age e com uma determinação que a redime completamente da extrema tolerância com que se conduz e protela a interferência no assunto temporal que criou a situação de perigo. Foi assim no Haiti, para invocar exemplo recente. Lá, a sangrenta ditadura Duvalier (pai e filho), para hostilizar a Igreja, a qual vinha perseguindo implacavelmente durante anos, chegou mesmo a considerar o vudu a religião oficial da pequena república. O Episcopado haitiano enfrentou o regime e o apoio do Papa João Paulo II veio quando de sua visita ao País, ocasião em que aconselhou: "Tenham fé, mas também tenham coragem. Lutem por seus direitos." Foi o esperado sinal-verde para a insurreição nacional que provocou a fuga do "Baby" e as enormes matanças de líderes vudu que já começavam a invadir os templos católicos. COESÃO TOTAL Para evitar deformações costumeiras, verificadas nos despachos de agências noticiosas, o Papa João Paulo II decidiu mandar ao Brasil, como seu emissário especial, o prefeito da Sagrada Congregação dos Bispos do Vaticano, o cardeal Bernardin Gantin, em abril de 1986. Sua missão era entregar pessoalmente uma carta de Sua Santidade aos 261 participantes da 24ª. Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, reunida em Itaici, correspondência de 400 linhas em que fixava o exato pensamento da Igreja sobre a atuação da CNBB e afastava, de uma vez por todas, quaisquer especulações quanto a pretensos antagonismos entre os prelados brasileiros e a Santa Sé. Era o dia 12 de abril de 1986. O documento começava falando de dois desafios que enfrenta a Igreja no Brasil: um, de natureza eclesiástica, onde estão incluídos a escassez de sacerdotes, religiosos e agentes pastorais e as ameaças à fé por parte das seitas fundamentalistas ou não-cristãs; o outro, representado por problemas de natureza cultural, sócio-política ou econômica, ligados ao momento histórico que o País atravessa. Afirmava que faz parte da missão da Igreja preocupar-se também com questões sociais e sócio-políticas. Condições de justeza no exercício dessa parte delicada da sua missão evangelizadora são, entre outras: uma nítida distinção entre o que é função dos leigos, comprometidos por específica vocação e carisma nas tarefas temporais, e o que é função dos pastores, formadores dos leigos para as suas tarefas, conscientes de que não cabe à Igreja, como tal, indicar soluções técnicas para os problemas temporais, mas iluminar a busca dessas soluções à luz da fé, uma praxis no campo sócio-político, que deve manter-se em indefectível coerência com o ensinamento constante do magistério. 

 

 

Os Demônios Descem do Norte. Délcio Moneiro de Lima.

Não consegui dados biográficos sobre Délcio Monteiro de Lima. O máximo que consegui, foi saber que ele é mineiro e que tem uma série de livros publicados como o Comportamento sexual do brasileiro (1976), Brasil: o retrato sem retoque (1978), Os senhores da direita (1980), Os homoeróticos (1983), e Os demônios descem do norte (1987), que acabo de ler. Pelo que vi, os seus últimos trabalhos são Os sobrinhos de Judas (1992), apresentado por Antônio Houaiss, o que sem dúvida nenhuma, muito o referencia e, ainda um outro livro, que também enfoca o tema religioso, Enquanto o diabo cochila, datado de 1990.
 
 
A edição de Os demônios descem do norte, da Francisco Alves.

Sobre Os demônios descem do norte, tenho que chamar primeiramente a atenção para a data de sua publicação, o ano de 1987. Portanto, ele tem os seus limites. Muita coisa aconteceu depois, especialmente, o surgimento de seitas genuinamente brasileiras, com destaque para a igreja universal do reino de Deus. O livro é grandioso e na orelha da contracapa tem uma nota da CNBB, relativa ao livro, assinada por Dom Sinésio Bohn, que muito referencia o livro. Quando Dom Sinésio era ainda apenas padre, ele esteve presente em minha formação, no seminário em Viamão.

O livro constitui-se num belo estudo sobre a presença das religiões e seitas que desceram do norte, isto é, que vieram dos Estados Unidos. De uma maneira geral elas tem em comum serem pentecostais, serem essencialmente conservadoras e cumprirem uma importante função estratégica na política da guerra fria, contribuindo com a sua pregação anti comunista, com a detenção do avanço comunista pela América Latina, onde ele encontrava fértil campo de expansão, em função da miséria social sempre presente e crescente. Muitas delas agiram em comum acordo com o Departamento de Estado dos Estados Unidos.

O livro está estruturado em cinco capítulos. No primeiro, Uma disputa de espaço, o autor mostra a eficiência organizacional destas igrejas, tomando como exemplo os adventistas do sétimo dia. Nem o obstáculo de não trabalharem aos sábados impediu o seu rápido crescimento no Brasil. Dedicam-se às áreas de educação e saúde e tem até marcas próprias de produtos seus como os da conhecida marca Superbom. São um dissidência da igreja batista. Barrar o comunismo e os avanços da teologia da libertação são a marca registrada de seu conservadorismo e puritanismo. O autor ainda mostra a reação católica ao avanço destas religiões. Um dos grandes valores do livro está em mostrar a origem histórica de todas estas religiões e seitas, tanto nos Estados Unidos, quanto no Brasil.

O segundo capítulo, A ideologia dos deuses, mostra a presença das religiões nos Estados Unidos, 2/3 de protestantes e 1/3 de católicos. Um país de protestantes tradicionais, fundadores de Harvard e Yale. Ao final do século XIX e, especialmente, no início do século XX surgem as chamadas igrejas ligadas ao pentecostalismo e, integrando uma forma americana de ser, unindo Deus, pátria, e família, marcada pelo extremo conservadorismo e sendo ancorados na infalibilidade da Bíblia, na crença da virgindade de Maria, na Ressurreição corporal e na segunda vinda de Jesus Cristo. Estas religiões e seitas assumem o lugar do protestantismo tradicional, que apresenta rápida queda no número de adeptos, convivendo também com o fenômeno das renovações e reformulações dentro do protestantismo histórico. Numa segunda parte do capítulo mostra a chegadas destas igrejas ao Brasil, onde antes havia uma boa convivência entre o catolicismo e o protestantismo tradicional. Promoviam ações de ecumenismo, que passaram a ser sistematicamente rejeitadas pelo pentecostalismo. Ainda é mostrada a fundamentação individualista destas religiões e seitas, e até a falsificação de textos bíblicos para assim obterem mais facilmente a docilidade indígena. Também a organização católica OPUS DEI ganha alguns comentários nada elogiosos.

O terceiro capítulo, Exorcizando fantasmas, é maravilhoso. Descreve uma por uma as principais organizações que aqui se estabeleceram, mostrando suas origens nos Estados Unidos e o seu estabelecimento no Brasil. Assim são examinadas a Assembleia de Deus, a igreja do Evangelho Quadrangular e a Congregação Cristã do Brasil. Nesta altura também entram na análise as primeiras igrejas brasileiras, surgidas já por dissidências dentro do pentecostalismo. As religiões dos cunhados, Manuel de Melo da Brasil para Cristo e de Davi Miranda, Deus é amor. Este é também o período do início da utilização dos meios eletrônicos na evangelização, bem como o do envolvimento na política partidária, visando barrar influências progressistas na Constituição de 1988. Também o Movimento de Renovação Carismática Católica entra na análise do autor. Elas atuam na mesma linha do protestantismo pentecostal.

O quarto capítulo, O original e o bizarro, é dedicado às seitas, isto é, para aquelas que não são reconhecidas como religiões cristãs, nem mesmo pelos protestantes tradicionais. Neste quadro entram os mórmons, as testemunhas de Jeová e a seita do reverendo Moon. É mostrado o enorme poder que aglutinam através da exacerbação de seu conservadorismo e anti comunismo, sendo que a seita do reverendo Moon teve íntimas relações com as ditaduras militares da América Latina, pela sua proximidade com a Ideologia da Segurança Nacional.

O quinto capítulo, Geopolítica da fé, mostra a visão mundial destas organizações que se unem na chamada União das Entidades Evangélicas, que atuam em setores de grande visibilidade, como guerras e tragédias, no esporte, com movimentos tipo atletas de Cristo, atuando, ainda, junto a populações indígenas. São constantemente acusadas de agir de acordo com entidades políticas dos Estados Unidos, cumprindo missões de espionagem de movimentos sociais e de vigilância sobre riquezas naturais estratégicas. Mais uma vez é ressaltada a importância da atuação estratégica dentro da doutrina geopolítica dos Estados Unidos. Atuam mais como organizações parareligiosas do que efetivamente como religiões. Desenraízam culturas e impõem o estilo americano de vida para as populações mais pobres e carentes do mundo. Todo o foco está voltado para se posicionar dentro do espírito da Guerra Fria, ocultando e se omitindo por completo quanto a questão desenvolvimento e subdesenvolvimento.

Em suma, um livro extraordinário com forte caráter de denúncia e, neste sentido, é um livro muito corajoso. É evidente que ele tem os limites do tempo. Muita coisa aconteceu neste campo depois de 1987, a data limite, quando o livro foi escrito. Citaria apenas como complemento o livro Trajetória das desigualdades - Como o Brasil mudou nos últimos cinquenta anos, um livro de 2015, que em seu capítulo 12 faz uma análise das transições religiosas no Brasil, analisando dados estatísticos do IBGE. Me chamou a atenção o dado de que em  estados como Rondônia e Rio de Janeiro a população evangélica já se constitui como maioria, tendo suplantado a população de católicos. Tudo isso é muito preocupante, especialmente, porque cada vez mais estão atuando politicamente.


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Isaías 40

Isaías 40 - 1 Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus. 2 Falai benignamente a Jerusalém, e bradai-lhe que já a sua milícia é acabada, que a sua iniqüidade está expiada e que já recebeu em dobro da mão do Senhor, por todos os seus pecados. 3 Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a nosso Deus. 4 Todo o vale será exaltado, e todo o monte e todo o outeiro será abatido; e o que é torcido se endireitará, e o que é áspero se aplainará. 5 E a glória do Senhor se manifestará, e toda a carne juntamente a verá, pois a boca do Senhor o disse. 6 Uma voz diz: Clama; e alguém disse: Que hei de clamar? Toda a carne é erva e toda a sua beleza como a flor do campo. 7 Seca-se a erva, e cai a flor, soprando nela o Espírito do Senhor. Na verdade o povo é erva. 8 Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente. 9 Tu, ó Sião, que anuncias boas novas, sobe a um monte alto. Tu, ó Jerusalém, que anuncias boas novas, levanta a tua voz fortemente; levanta-a, não temas, e dize às cidades de Judá: Eis aqui está o vosso Deus. 10 Eis que o Senhor DEUS virá com poder e seu braço dominará por ele; eis que o seu galardão está com ele, e o seu salário diante da sua face. 11 Como pastor apascentará o seu rebanho; entre os seus braços recolherá os cordeirinhos, e os levará no seu regaço; as que amamentam guiará suavemente. 12 Quem mediu na concha da sua mão as águas, e tomou a medida dos céus aos palmos, e recolheu numa medida o pó da terra e pesou os montes com peso e os outeiros em balanças? 13 Quem guiou o Espírito do Senhor, ou como seu conselheiro o ensinou? 14 Com quem tomou ele conselho, que lhe desse entendimento, e lhe ensinasse o caminho do juízo, e lhe ensinasse conhecimento, e lhe mostrasse o caminho do entendimento? 15 Eis que as nações são consideradas por ele como a gota de um balde, e como o pó miúdo das balanças; eis que ele levanta as ilhas como a uma coisa pequeníssima. 16 Nem todo o Líbano basta para o fogo, nem os seus animais bastam para holocaustos. 17 Todas as nações são como nada perante ele; ele as considera menos do que nada e como uma coisa vã. 18 A quem, pois, fareis semelhante a Deus, ou com que o comparareis? 19 O artífice funde a imagem, e o ourives a cobre de ouro, e forja para ela cadeias de prata. 20 O empobrecido, que não pode oferecer tanto, escolhe madeira que não se apodrece; artífice sábio busca, para gravar uma imagem que não se pode mover. 21 Porventura não sabeis? Porventura não ouvis, ou desde o princípio não se vos notificou, ou não atentastes para os fundamentos da terra? 22 Ele é o que está assentado sobre o círculo da terra, cujos moradores são para ele como gafanhotos; é ele o que estende os céus como cortina, e os desenrola como tenda, para neles habitar; 23 O que reduz a nada os príncipes, e torna em coisa vã os juízes da terra. 24 E mal se tem plantado, mal se tem semeado, e mal se tem arraigado na terra o seu tronco, já se secam, quando ele sopra sobre eles, e um tufão os leva como a pragana. 25 A quem, pois, me fareis semelhante, para que eu lhe seja igual? diz o Santo. 26 Levantai ao alto os vossos olhos, e vede quem criou estas coisas; foi aquele que faz sair o exército delas segundo o seu número; ele as chama a todas pelos seus nomes; por causa da grandeza das suas forças, e porquanto é forte em poder, nenhuma delas faltará. 27 Por que dizes, ó Jacó, e tu falas, ó Israel: O meu caminho está encoberto ao Senhor, e o meu juízo passa despercebido ao meu Deus? 28 Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos fins da terra, nem se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento. 29 Dá força ao cansado, e multiplica as forças ao que não tem nenhum vigor. 30 Os jovens se cansarão e se fatigarão, e os moços certamente cairão; 31 Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão.

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João 14

6 Jesus lhe respondeu: “Eu sou o caminho,a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim. 7 Se vocês me conhecessem, conheceriam também o meu Pai.


João 8

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Ezequiel 47

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